26-27/05, 18h no CCS:Lançamento da Revista P&T e filme "Salvador"

                               26/05/12, sábado, 18h

Lançamento: Revista de Ciências Sociais “Política & Trabalho”
(número 36 – abril de 2012)
Programa dePós-Graduação em Sociologia
UniversidadeFederal da Paraíba/UFPB

 

Dossiê Estudos Anarquistas Contemporâneos
Organização: Nildo Avelino e Loreley Garcia

 

Judith Butler - Jesús Sepúlveda - Ruth Kinna - Daniel Colson - Salvo Vaccaro - Saul Newman - John Zerzan - Paulo-Edgar Almeida Resende - Margareth Rago - Silvio Gallo - Nildo Avelino - Bruno Andreotti - Adriano de León.
Ana Godoy - Antonio Motta - Pompilio Lockse Marília Veríssimo Veronese - Edson Lopes.

 

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27/05/12, domingo, 18h

Biblioteca Terra Livre e Centro de Cultura Social convidam para a exibição do filme:

 

"Salvador (Puig Antich)”

de Manuel Huerga (Espanha , 2006)

 

Exibição do filme que conta a história de Salvador Puig Antich, jovem catalão, anarquista e militante do MIL - Movimiento Ibérico de Liberación, que preso após um assalto a banco, foi condenador à pena de morte, pelo método "garrote vil", já no ocaso do regime franquista.em 1974. Esse caso alavancou o processo de redemocratização da Espanha após o fim da era de Franco.

Puigantich
 

 

 

 

 

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253 sala 22 – Metrô República

www.ccssp.org   ccssp@ccssp.org

Entrada Franca

 

"DO GOVERNO DOS VIVOS"

Michel FOUCAULT, "DO GOVERNO DOS VIVOS: Curso no Collége de France, 1979-1980 (excertos)." In: Nildo Avelino (org.)
Alfredo VEIGA-NETO, Apresentação 2ª edição: " A facilidade de se fazer algo difícil ou, se quisermos, a dificuldade de se fazer algo fácil". 
"[...] Por que apresentar, por que tornar presente um pensamento que, desde há muito, contínua presente entre nós? E se não há necessidade de apresentar Michel Foucault e o curso Do governo dos vivos, também não há necessidade de apresentar Nildo Avelino e este seu meticuloso, imenso e rigoroso trabalho de trazer à vida o sempre presente pensamento de Michel Foucault. Ambos, Michel e Nildo, aí estão, presentes e vigorosos; e este livro é a maior prova de suas presenças e vigor." 

Dossiê Estudos Anarquistas Contemporâneos.

Paulo-Edga Almeida RESENDE,"AVATARES DO DEVIR FEDERALISTA: atualidade de P.-J. Prodhon."
"[...], Proudhon esgota o dicionário político:
Ser governado é ser averiguado, inspecionado, espionado, dirigido, legiferado, regulamentado, censurado, comandado por seres que não têm o título, nem a ciência, nem virtude...Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, anotado, registrado, recenseado, tarifado, timbrado, medido, cotado, cotizado, patenteado, licenciado, corrigido. É ser, sob pretexto de utilidade pública e em nome do interesse geral, taxado, exercido, racionado, explorado, monopolizado, chantageado, pressionado, mistificado, roubado; em seguida á menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, caçado, brutalizado, abatido, desarmado, garrotado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, como se não bastasse, satirizado, ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis sua justiça, eis sua moral! E dizer que existe entre nós democratas que pretendem que o governo contenha o bem; socialistas que desejam, em nome da liberdade, da igualdade e da fraternidade, essa ignomínia; proletários que colocam sua candidatura à presidência da república! Hipocrisia! [...]." 

Clássico da contracultura, filme de Neville d'Almeida perdido por 40 anos terá 1ª exibição no país

Cenas de "Mangue-Bangue"
Cenas de "Mangue-Bangue"

Nas margens do mangue

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Um homem entra em convulsão no meio da Bolsa de Valores. Consegue se arrastar até a porta. Vomita as tripas e desaba numa poça de lama. Em paralelo, galos se engalfinham numa briga sem fim.

Em "Mangue-Bangue", o diretor Neville d'Almeida traça um paralelo entre homem e bicho para construir o que chamou de um "painel de 1971", tempo de milagre econômico, drogas, liberdade sexual, censura e preconceito.

Foi essa a época que o cineasta tentou dissecar nas sequências do filme que rodou no Mangue, zona de prostituição carioca a algumas quadras da Central do Brasil, que visitou com o amigo Hélio Oiticica no começo dos anos 70.

Com medo da ditadura, ele pôs os dois rolos do filme na mala e fugiu para Londres, onde revelou os negativos.

Só dois anos mais tarde, em Nova York, D'Almeida encontrou Oiticica, que morava lá, e decidiu mostrar o filme numa sessão no MoMA, o museu de arte moderna, onde os rolos ficaram esquecidos por décadas até serem reencontrados e restaurados.

Agora, mais de 40 anos depois de feito, "Mangue-Bangue", um clássico perdido da contracultura, será mostrado pela primeira vez no Brasil numa retrospectiva do cineasta no Sesc Santo Amaro.

"Quis fazer um filme de ruptura", disse o diretor ao rever o filme em sessão exclusiva para a Folha, em São Paulo. "Estava revoltado com a censura. Então, queria mostrar as drogas, gente tomando um pico na veia, esse vômito que carrega toda a ditadura, sequências brutais."

Em cena, prostitutas e travestis aparecem se drogando e os atores Maria Gladys e Paulo Villaça encarnam homem e mulher em busca de liberdade -algo entre ode e crítica à condição humana em tempos de exceção.

Trata-se também de uma forma excepcional. O filme foi o ponto de partida da colaboração de D'Almeida e Oiticica que resultou nas "Cosmococas", instalações que mergulham o espectador em imagens, música e cenografia.

Escrevendo sobre o filme, Oiticica identificou na obra uma "edição em blocos geométricos, uma estrutura em moto perpétuo", já que o roteiro, sem texto, embaralha as sequências num vaivém arrebatador de imagens que alternam beleza e repulsa.

Nas palavras de Luis Pérez-Oramas, curador de arte latino-americana do MoMA, "Mangue-Bangue" oscila entre "o excrementício e o puro, a alvura e o mundano, o agônico e o extático".

Depois de restaurado pelo museu americano a um custo de R$ 200 mil, o filme veio à luz numa sessão em Nova York há quatro anos, no auge da crise financeira que abalou os mercados e instaurou um novo ciclo de miséria.

"'Mangue-Bangue' ganhou então uma dimensão urgente e atual para mim", escreveu Pérez-Oramas. "É a imagem de um mundo de poder reduzido ao vômito, uma crítica radical do nosso tempo e também uma das mais acerbas imagens da decomposição formal na arte ocidental.

Colloque international MICHEL FOUCAULT: DU GOUVERNEMENT DES VIVANTS AU COURAGE DE LA VÉRITÉ

Do governo dos vivos. Curso no Collège de France, 1979-1980 (excertos). 2ª edição revista e ampliada. autor: MICHEL FOUCAULT local de publicação: SÃO PAULO-RIO DE JANEIRO ano de publicação: 2011 peso: 190g 188 pági
nas
onde comprar: Centro de Cultura Social de São Paulo e Livraria Cultura
R$43,00 

DO GOVERNO DOS VIVOS CURSO NO COLLEGE DE FRANCE, 1979-1980 (EXCERTOS)

Alfredo Veiga-Neto (da Apresentação à 2ª edição)

Qual é o núcleo duro do curso aqui transcrito e comentado? Qual foi o fio que conduziu Foucault ao longo das suas aulas? A resposta não é difícil: foi a história genealógica e a problematização da obediência, da conformação ao governamento (como condução das condutas), na nossa tradição ocidental.
Enfim, tenho certeza de que esta edição do curso Do governo dos vivos virá preencher brilhantemente uma lacuna na bibliografia foucaultiana em língua portuguesa. Faço votos de que todos aqueles que se interessam pelos estudos foucaultianos encontrem, neste livro, novos elementos para problematizarem o presente e, por aí, se sintam desafiados e encorajados a pensarem de outros modos.

Mães de gays saem em marcha hoje contra a homofobia

Caminhada começa às 17h na esquina da rua Augusta com a Paulista e termina no largo do Arouche, no centro

Evento comemora dia Internacional de Luta Contra a Homofobia e antecede tradicional e badalada Parada Gay

LILO BARROS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
CAROLINA LEAL
DE SÃO PAULO

Yuri tinha 12 anos. Estudava em uma escola particular na zona leste de São Paulo. Durante as aulas de francês, o professor escrevia na lousa a palavra "bambi". Depois voltava os olhos para Yuri, ria muito e incentivava que as outras crianças também rissem.

"Ele ainda chora com essa lembrança", conta a mãe de Yuri, Clarice Pires, 60. A empresária é uma das mães de gays que irão se reunir hoje, a partir das 17h, na esquina da avenida Paulista com a rua Augusta, para depois "marchar" em direção ao largo do Arouche (centro de São Paulo).

Ela vai participar da caminhada em comemoração ao Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, organizada pelo governo do Estado e pela Prefeitura de São Paulo.

"Essa ação é para mostrar que não dá mais para que pessoas sejam agredidas ou até mesmo mortas por causa da orientação sexual", diz Heloí-sa Gama, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.

No mês que vem, outro evento deve movimentar a comunidade LGBT -a tradicional Parada Gay, no dia 10, com o tema "Homofobia Tem Cura: Educação e Criminalização!".

MÃES UNIDAS

Clarice diz que a história das aulas de francês ainda está entalada na garganta do filho. Yuri é homossexual assumido, tem hoje 34 anos e trabalha em uma empresa em Nova York. Ela conta que sempre respeitou o filho. "Minha preocupação era com os outros."

Reação diferente teve a professora aposentada Edith Modesto, 73. Em 1992, quando a mãe de sete filhos descobriu que o caçula Marcello, 32, era gay, perdeu o chão. "Eu caí dura. Levei uma paulada."

Apesar da crise, o amor de mãe foi maior. Cinco anos depois, Edith fundou o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), para ajudar outras famílias.

"Quando o filho sai do armário, é a mãe que entra", brinca Edith, que promete ir hoje à passeata na Augusta.

A aposentada Neusa Dutra, 61, que precisou de ajuda para aceitar o filho gay Chico, 29, também. No começo, foi difícil. "Depois de um tempo caiu a ficha. Vi que quem precisava de tratamento era eu, não ele."

Dossiê Estudos Anarquistas Contemporâneos

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(se a imagem não abrir, clique aqui)

Revista de Ciências Sociais “Política & Trabalho”

(número 36 – abril de 2012)

Programa de Pós-Graduação em Sociologia

Universidade Federal da Paraíba/UFPB

 

Dossiê Estudos Anarquistas Contemporâneos

Organização: Nildo Avelino e Loreley Garcia

 

Judith Butler u Jesús Sepúlveda u Ruth Kinna u Daniel Colson u Salvo Vaccaro u Saul Newman u John Zerzan u Paulo-Edgar Almeida Resende u Margareth Rago u Silvio Gallo u Nildo Avelino u Bruno Andreotti u Adriano de León.

 

Ana Godoy u Antonio Motta u Pompilio Locks e Marília Veríssimo Veronese u Edson Lopes.

 

Lançamento: 26/05/2012, 18h

 

Centro de Cultura Social

Rua General Jardim, 253 sala 22 – São Paulo/SP

 

O Culto da Elegância na África Contemporânea

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                                          (A SAPE e os sapeurs chegam ao Brasil)

Não se nasce sapeur, mas nos tornamos sapeur simplesmente porque temos um membro na família ou amigo que foi ou é sapeur, enfim, um contexto favorável. É como as várias línguas que falamos em nosso país: se absorve naturalmente sem saber por que. É também assim com o vestir: acabamos incorporando um estilo, a ele acrescentando nossa criatividade. Foi o que se passou comigo. Quando me tornei adolescente comecei a frequentar os lugares da noite e a usar as roupas dos meus amigos. Quando completei quinze anos ganhei de um tio, também sapeur e que estava morando em Paris, um par de sapatos J. M. Weston (modelo mocassin à pampilles). O Weston foi o meu reconhecimento oficial na SAPE, como “un mot de passe” (senha) e a partir daí nunca mais consegui deixar a SAPE. Quando resolvi vir estudar no Brasil, coloquei na mala o par de Weston, que está em perfeito estado, e me acompanhará por toda a vida”.

Foi depois da independência do Congo (Brazaaville e Kinshasa), por volta dos anos de 1960, que surgiu com ímpeto a chamada Société des Ambianceurs et de Personnes Elegantes, la SAPE (Sociedade de Ambientadores e de Pessoas Elegantes). Tal fenômeno teve suas origens no bairro de Bacongo, em Brazzaville, atraindo, na maioria das vezes, jovens de origem social modesta que se autodenominavam de sapeurs, isto é, aqueles para os quais o culto à elegância constituía um fim em si mesmo.

Para um sapeur, mais do que um estilo de vida, a elegância é uma “condição” de estar no mundo, ou seja, condição em que a moda excede suas funções estéticas de representação e distinção sociais para adquirir valores intrínsecos ao comportamento e à conduta sociais. Deste modo, para os adeptos da sapologie tais valores assumem outras dimensões na vida social, proporcionais ao grau de crença e veneração às grandes griffes ocidentais e ao consumo conspícuo de produtos de luxo importados (camisas, ternos, sapatos, meias, gravatas etc), assim como também o cuidado sempre zeloso com a aparência pessoal e atos performáticos, recriados a cada dia.

Daí porque, em língua portuguesa, ao invés de “ambientadores” (tradução ao pé da letra), talvez, fosse mais adequado chamá-los de “animadores” ou de “criadores”, atributo mais vivo e dinâmico, como é próprio do ato performático de um sapeur, partidário da “cultura do look” que é exibida publicamente e apreciada por todos. Com efeito, seguindo o corolário da sapologie, a roupa que se veste é o próprio tecido da pele e por isso não se pode imaginar um sapeur sem o “dress code” impecável e, sobretudo, aquilo que dá vida e estilo ao que é vestido, isto é, “un moyen de creér une ambiance” (um modo de criar uma atmosfera): princípio norteador que define um sapeur.

O ensaio fotográfico e o vídeo etnográfico da exposição são testemunhos da presença da SAPE nos Trópicos, mais precisamente no Nordeste brasileiro. Os protagonistas de cena são estudantes congoleses de Kinshasa, conveniados em diferentes universidades brasileiras. É o primeiro registro da SAPE no Brasil, já que o trajeto de viagem de um sapeur ─ fora da Republica Democrática do Congo (Kinshasa) e Congo Brazzaville ─ é Paris: o grande destino que o legitima.

Antonio Motta

Curador da exposição